Ao longo da minha carreira como advogado especializado em negócios e tecnologia, acompanhei muitos empreendedores em diferentes estágios de captação de investimento. Posso afirmar que, mesmo com bons produtos e times fortes, a etapa de levantar capital costuma ser fonte de ansiedade, dúvidas e, principalmente, armadilhas jurídicas. Por isso, decidi criar este checklist prático: orientações claras, baseadas em experiências reais do meu trabalho e da filosofia que aplico em projetos como o Matheus Martins, onde simplificar o complexo é regra.
Antes da rodada: preparação estratégica
Se tem algo que bato na tecla é que a preparação começa bem antes do pitch para investidores. Muitos pensam que basta querer captar, mas não é assim que o mercado funciona. É nesse momento que muitos empreendedores, inclusive alguns que já estavam rodando, me procuraram para “destravar o caminho”.
- Diagnóstico da empresa: Reviso a situação cadastral, enquadramento societário, existência de dívidas, pendências fiscais e trabalhistas. Ter tudo em ordem transmite confiança e previne questionamentos durante a diligência.
- Cap table organizado: Estrutura societária clara, sem “sócios-fantasma” ou promessas de participação que possam aparecer depois. Já vi acordos verbais atrapalharem negociações avançadas.
- Documentação essencial: Contrato social atualizado, registros de propriedade intelectual, contratos com clientes relevantes e funcionários-chave. Sem isso, a conversa para.
- Estratégia de captação definida: Que tipo de investidor a empresa busca? O que pretende ceder em troca? Definir faixas de valorização e cláusulas aceitáveis ajuda a negociar.
Eu sempre aconselho acessar conteúdos sobre empreendedorismo para entender o cenário do ecossistema e se preparar melhor para essa jornada.
Pronto para captar é quem se preparou antes mesmo de pensar em pedir dinheiro.
Durante a rodada: execução jurídica e negociação
Chega o momento mais visível: conversar, negociar, apresentar propostas. Aqui, poucos detalhes fazem uma diferença enorme. Uso exemplos reais para mostrar que proteção e clareza são prioridades em qualquer negociação de captação.
- Term sheet bem redigido: “Carta de intenções” pactuada com clareza. Evito termos genéricos que abrem brechas para interpretações. Aqui se definem pontos como valuation, vesting, participação, governança e saída/exit.
- Diligência (due diligence): O investidor fará uma varredura nos documentos. Nessa fase, acompanho de perto a entrega de informações e promovo ajustes necessários para que a empresa esteja em dia com o que “prometeu”.
- Modelagem da entrada: Nem sempre o investimento será “compra de participação” direta. É preciso definir junto ao cliente (empresa) qual instrumento faz sentido: SAFE, opção, mútuo conversível, sociedade, entre outros. Para cada tipo, cuido para que as regras estejam claras no papel, inclusive se existirem rodadas futuras.
- Gestão dos conflitos: Antecipar situações que podem gerar impasses futuros, como saída de sócios, novas rodadas ou divergências estratégicas, ajuda a proteger todos os lados. Já presenciei empresas que não pactuaram “regras do jogo” e, anos depois, ficaram paradas justamente por conta disso.
Convido quem estiver vivendo essa fase a aprofundar temas em transações, pois cada negociação traz aprendizados novos.

O que revisar nos documentos?
É comum investidores e empresas focarem no valor do aporte, mas negligenciarem detalhes que causam problemas depois. De acordo com minha experiência, destaco os pontos abaixo:
- Cláusulas de vesting: Evitam que sócios abandonem a empresa logo após receber dinheiro.
- Direitos e deveres dos sócios e investidores: Acordos claros, principalmente para voto, veto, saída ou entrada de novos sócios.
- Governança e estrutura de decisão: Ferramenta para que empresa mantenha agilidade, sem emperrar por questões burocráticas.
- Direitos de preferência, tag/drag along: Disposições para casos de venda futura da empresa, ingresso de novos investidores ou saída repentina de sócio. Para quem deseja se aprofundar, recomendo acessar o conteúdo sobre governança.
- Confidencialidade e não concorrência: Protegem informações estratégicas.
O contrato bem feito evita dores de cabeça que nem sempre aparecem na primeira leitura.
Cuidados legais recorrentes que vejo no dia a dia
Depois de dezenas de negociações, percebi padrões em erros cometidos por startups e empresas em crescimento. Alguns riscos são comuns, por isso, compartilho aqui pontos de atenção que sempre trago nas mentorias e consultorias do Matheus Martins.
- Assinar contratos apressadamente, sem análise detalhada.
- Omitir informações relevantes (passivos, dívidas, processos).
- Pular etapas para “não perder a chance” de captar. Isso costuma gerar problemas na integração do investidor.
- Desconhecer as regras do contrato que está sendo assinado: alguns instrumentos possuem obrigações ocultas, como garantias pessoais ou direitos de preferência silenciosos.
- Ficar refém de poucos investidores, sem entender o alinhamento entre expectativas e cultura da empresa.

O pós-captação: o que não esquecer?
Depois que os recursos entram, pode parecer que tudo está resolvido. Aqui, digo com convicção: a etapa posterior é tão importante quanto a anterior. Já vi empresas conquistarem grandes rodadas e, por não cuidar do operacional ou ignorar obrigações criadas no contrato de investimento, perderem valor no mercado ou até mesmo se complicarem legalmente.
- Registrar integralizações: Aporte de capital deve ser registrado nos órgãos competentes e refletido nos documentos societários.
- Implementar a governança acordada: Seguir regras combinadas com investidores, criar rituais de prestação de contas e organizar informações financeiras.
- Gerenciar comunicação: Transparência com investidor, sócios e equipe interna. Evito surpresas desnecessárias.
Mantenho sempre à disposição conteúdos de acompanhamento pós-investimento no projeto Matheus Martins, inclusive como este exemplo em relatos de casos publicados.
Captar não acaba com o recebimento do dinheiro, mas sim no cumprimento dos combinados.
Conclusão
Minha experiência em dezenas de operações me ensinou: um processo de captação bem conduzido começa na preparação jurídica, passa pelo entendimento das regras do jogo e só termina na implementação das obrigações combinadas
Se você busca clareza, apoio real e estratégia para conseguir investimento, sem burocracias, mas com preparo, saiba que pode contar comigo e com o projeto Matheus Martins. Conheça mais sobre nossos serviços e tire suas dúvidas para avançar com segurança no crescimento do seu negócio.
Perguntas frequentes sobre captação de investimento
O que é captação de investimento?
Captação de investimento é o processo pelo qual uma empresa busca recursos financeiros junto a terceiros (investidores) para financiar seu crescimento, inovação, expansão ou novas etapas de desenvolvimento. Pode envolver fundos, investidores-anjo ou até grandes grupos. A entrada desse capital é quase sempre acompanhada de regras para participação, governança e, muitas vezes, acompanhamento dos resultados.
Quais documentos preciso organizar?
Os principais documentos são: contrato social atualizado; registros de propriedade intelectual; contratos com sócios, fornecedores-chave e funcionários estratégicos; certidões negativas e comprovantes fiscais. Além disso, é fundamental centralizar acordos pré-existentes e possíveis promessas feitas a terceiros que possam afetar a negociação.
Como escolher um investidor confiável?
Escolher um investidor confiável envolve mais do que analisar o valor disponibilizado. Em minha experiência, é decisivo entender se o perfil do investidor alinha-se com o estágio, cultura e expectativas do negócio. Pesquise outros investimentos feitos, converse com fundadores de empresas investidas e alinhe claramente as expectativas quanto a prazos, interferência na gestão e visões estratégicas.
Quais erros evitar ao captar investimento?
Alguns erros recorrentes são: não organizar documentação; assinar contratos sem ler; omitir passivos; desconhecer direitos e obrigações gerados pelos instrumentos jurídicos e negociar apenas pelo valor (“dinheiro na conta”) negligenciando o alinhamento futuro entre empresa e investidor.
Quanto custa um processo de captação?
Os custos variam conforme a complexidade do negócio, o valor a ser captado e a quantidade de investidores envolvidos. Normalmente se inclui honorários advocatícios, custos de certidões, registros em cartório e, em alguns casos, taxas administrativas. Recomendo sempre um orçamento detalhado antes de iniciar a jornada de captação.